Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

Interregno - Heráldica

«Não há Barões é o que dizem os Barões», disse o Quase-Barão, ontem à noite, no prime-time da RTP1, Marcelo Rebelo de Sousa.

 
Também as bruxas se negam, mesmo nos seus rituais: Nunca se sabe de onde espreita a Inquisição...

 
 
E findo o interregno, voltemos às obras. Até quando puder ser, Gumoleitor!
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:41
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Breves Notas e Uma Cura Para o Tédio...

O Gume está em obras. É um túnel no marquês da blogsfera. É capaz de demorar. Que nos perdoem a ausência!
 

 


 

Até lá, apreciem esta pérola literária da boa poesia portuguesa engendrada do génio bucólico, eternamente lírico e irritantemente bêbedo do meu estimado amigo Bruno Candelária co-colaborador (ocasional) e co-criador deste distinto blog:
 


 

«Fica a ordem mantida
Com esta posta mal arranhada;
Que se cure de-mente a ferida
Pois foi antes da madrugada».
 


 

Eu logo vos mando a morada deste poeta único, num post mais para a frente, para lhe queimarem a casa... É óptimo para o stress: Refresca e alivia!
 


 

Até breve, até sempre,
 


 

O GUME JÁ TEM SAUDADES!
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:36
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007

Love Me Tender!

Elvis - Há 30 anos que descansa... em paz?
 
Love Me Tender, babes!
 
Venha daí essa adoração!
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 14:20
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Articínio

Não existe arte abstracta. Porque a Arte é abstracta quando se cansou de ser Arte e quis experimentar novas coisas. O Homem de bom-senso não pode nunca chamar «arte» a uma experiência, mas tem consciência de que sem esta última não pode chegar à primeira.
 

 

(Lisboa, 19/03/05)


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 05:48
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2007

A Queda do Anjo Negro

Adeus!, Adeus!, Jardins do trilho justo!
Da luz, da alma eterna e elevada,
Da calma, da paz mantida a custo,
Do êxtase, do gosto à carne rara!

Lugar preciso do fruto proíbido,
Pode ser visto, não pode ser tocado,
Tocado, não pode ser mordido,
Mordido, mas não saboreado…

Antes quero a perda a esse trilho,
Antes desejo a treva a esse brilho,
Antes a queda à alma su’jugada!

Melhor que a Paz, este eterno sono,
Melhor que a companhia, este abandono,
Melhor que o gozo, o já não sentir nada!

Lisboa, 14/02/00


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:08
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Cinematografias...

Em The Life of Brian (Monty Python) eu vejo Cristo, um simples mortal, nu, desprotegido, idealista, abrindo as janelas ao Mundo. Ele é alguém que crê na perfeição e sonha que ela pode estar em si mesmo. É um louco, um genial louco. Mas a sua loucura não está em pensar isso de si. Está em crer que pode, efectivamente, mudar os outros. É verdade que as palavras certas movem as massas egoístas e inúteis. Mas nenhuma palavra fará delas aquilo que não são. A prova disso é o Jardim de Gethsemani e o Calvário e o monte da Crucificação. A prova disso é a derrota inevitável do Homem. Que importam, aos vermes que somos todos, os teus sonhos? Os sonhos, pobre génio, os sonhos que temos, não podem nunca interferir nos planos dos outros Homens. Eles ressentem-se. Eles querem milagres mas não querem, não podem, não conseguem abdicar. Tu pediste demais. Pediste o que não podias já pagar. O Homem não esquece. Nunca esquece. Cobrou a dívida. Por inteiro. Com juros. O teu mito não é mais do que um meio original de lavar as mãos como Pilatos, de limpar a consciência pesada que o tempo enegreceu…

 
(Lisboa, 18/03/05)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:01
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Teológico Intercâmbio...

Eu disse: «A Igreja é profundamente nazi». Corrigiu-me (e muito bem) o meu distinto amigo, André Lizardo: «Será antes: O nazismo é profundamente cristão».[1]
 
(Lisboa, 23/05/05)

[1] Que se repare que a inversão não absolve o Cristianismo…
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 22:33
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Resignação

Amo o que me dás, seja o que fôr,
Seja isso a Morte, a Paz ou o Amor.

Amo o que me dás, mesmo se pouco;
Seja o ar, a sede ou o sufôco.

Sim, amo o que me dás, ‘inda se nada,
Oh, Vida!, de intenções empregnada!
 


Póvoa de Santo Adrião, 17/01/05


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 14:28
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Domingo, 12 de Agosto de 2007

Ratzinger, Reminiscências, Post Conclauis (Explicação do Delírio das Massas Após a Suposta Aclamação


«Habemus Opium! Uenite fratres!»[1]

Lisboa, 21/04/05)
 


 
[1] A Tradução Possível: Temos ópio! Vinde irmãos!




 
 
 
E que dizer desse fumo no horizonte?

 
Agora sim faz sentido tanta fé! ...
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 09:44
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Suspiro

Morte! Morte! Viagem!
Horror da Vida, imensa estagnação!
Ar puro! Ar novo! Aragem!
Que mito doloroso que é a acção!

Lausanne,14/11/04

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 01:40
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O Sermão de Zenão Bêbedo, Serralheiro Solitário...

A vida só existe para que admitas a tua estupidez inútil e depois te mates. Eis a beatificação, eis a dissolução do mito de Cristo, eis o Estoicismo. Todo o estoico se suicida. O que é que aqui fazes?
 

 


 

(Póvoa de Santo Adrião, 09/01/05)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 01:29
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Sábado, 11 de Agosto de 2007

Famosos Números!

In Público:

 

«Correia de Campos considera “muito positivos” números das listas de espera para cirurgia»
 


 

Este post é tendêncialmente político. Quer-se com isto dizer, para bem de um intento pessoal, no caso a arte de mal dizer, e em detrimento da ética e da decência (característica também tendêncialmente política), ignora-se o contéudo da notícia e o contexto em que podem ser positivos os números mencionados, e considera-se apenas essa espera no seu estado actual:



 

 


 

 

E, considerada, concorda-se: Se o que se avalia é a adesão a um casting, sem dúvida, estes números, são muito positivos:


 

Ainda ontem, esperaram, só da parte da manhã, 120.000 pessoas!

O que um Homem não faz pelo sucesso!

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 20:37
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De Noite

Sangue nas têmporas pesadas;
Sangue nas paredes escuras da mansão;
Sangue nas mãos nervosas e apressadas,
Sangue no tapete, nas roupas, no chão.

Sangue na estátua de bronze à minha frente,
Sangue no punhal.

Sangue na mão que matou
E no corpo jacente,
Sangue que é meu, afinal…

Noite de tempestade,
Noite de inverno,
Noite Romântica (como chove lá fora!),
Noite de assombro…

Quando chegará a claridade?
Quando o fim de tudo, o Incrível Termo?
Quando a minha hora?
Quando alguém que eu ame a deixar-me o seu ombro?

Noite de lobos que uivam de fome,
Noite de crianças que choram com medo,
Noite de animais ferozes,
Noite de arrepios,
Noite de incerteza,
Noite que dormes comigo e comes comigo à mesa!

Estou tão cansado!
Estou tão cansado!
Há tanto ódio em mim,
Tanta raiva em mim,
Tanto horror em mim!,
Que falta que o amor me faz!!

Onde o abrigo que a Fé me prometeu?
Onde o porto onde o mar tem fim?
Onde o meu Deus?
Onde a Paz?

Lausanne, 27/11/04
 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 13:21
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

Expiração

Lanço o último suspiro:
Desanimei de tudo.
Para mim acabou a conversa:
Estou mudo
E procuro um retiro:
Quero um quarto escuro e sem ruído
Onde ao ouvido
Não chegue mais que a promessa
Que ainda espero vir a ser cumprida:
Para o corpo, uma festa;
Para a alma, uma vida…

Lisboa, 31/03/01
 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:22
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Numa Cadeira

Sentado,
Sem compromissos –
Um simples repouso pontual
Marcando uma pausa no desgosto.



Confesso: É normal.
Mas não peço desculpas: É o meu luxo;
O meu pequeno vício.
Já regresso ao tédio que me foi imposto…

Lisboa, 12/03/98
 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:15
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Na Hora da Partida da Barca dos Pescadores

De novo o mesmo cheiro, bálsamo de espera,
De novo o mesmo gosto a soluços tristes,
De novo o mesmo sopro, o mesmo ar.

De novo a mesma barca, a tal quimera,
De novo o mesmo mastro de alambique,
De novo a flutuar no mesmo mar…

Lisboa, 19/07/97
 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:12
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Numa Bebedeira

Porque são falsos os Homens!
Digo-lho eu, amigo, que os conheço:
Comem, comem, comem
Tudo quanto querem –
E depois partem, com corações de gesso…

Ferem tudo, amigo, sei que ferem!
Digo-lho eu, certinho, que sei tudo:
Pedem, pedem, pedem,
E se ninguém há, que os satisfaz,
Queimam casas e sonhos, e o pasto miúdo…

Não têm alma – Que a alma só tem paz.
Digo-lho eu, colega, que fui frade:
E eles catrapás, catrapás, catrapás!,
Golpeiam sempre, sempre dão estocadas
No peito da própria Liberdade!

Deliram!, são almas penadas!
Digo-lho eu que venho sempre ao tinto!:[1]
E «Alvoradas, alvoradas, alvoradas!
Brilhai em mim durante a noite inteira!»
Em vão o rogo pois só as trevas sinto…

Mas segue a vida, de qualquer maneira;
Um gesto meu é vão e indistinto:
«Alvoradas, alvoradas, alvoradas!»…
Gritá-lo mais? Não: Mais me ressinto.

E ao amigo também doi esse limbo
Que parecemos ter à cabeceira?
Perfeito! Basta! Nem pense em mais nada!:
Junte-se a mim, nesta bebedeira! –

Uma garrafa de vinho e a vida parada,
Uma garrafa de vinho e a vida parada…

O coração bate: Não, minto.
O coração bate: Não, minto.
É alguém à entrada.

Frape! Frape! Irra, o meu achaque!
Vá-se!, que ninguém está em casa!
Volte mais tarde,
Volte à terça-feira –
Talvez já tenha tido um aneurisma…
Vamos, coração bate!
Vamos, coração arde!
Upa! Upa! Baque! Baque!

Mas ele soluça e cisma,
Mas ele soluça e cisma…

(E a alma ainda gemendo baixinho:
«Alvoradas! Alvoradas! Alvoradas!»
E o peito ainda em busca de um ninho:
«Alvoradas! Alvoradas! Alvoradas!»
Mas nada lhe chega: Só um vento maninho:
E a noite que cai negra e pesada,
E a noite q
u
e c
a
i
negra
e pesada…).

Lisboa, 02/04/01
 


[1] Nota do Orador (em parentises): In vino veritas.
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:09
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No Poema

Corredor de vento das palavras,
Sonoro anti-estático de acento,
Aventura de cíclicas metáforas
Na cínica vogal do sofrimento.

Anel de místicas siglas onduladas
Dos canais de voz do emissor,
Sílabas de dor dissimulada,
Temporal de vírgulas e pontos.

Âncora de letras desgastadas,
Mar de esdrúxulas a abrir as madrugadas,
Onda de rítmicos verbos de-poentes,

É esta fúria louca de escrever,
Esta ilógica força de viver,
Esta vontade hercúlea de beber-te!

Lisboa, 15/05/98

 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:02
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Teorema Protestarial I

Mudar de roupa?
Ora!
Dizes que a reunião vai começar em breve?
Estou farto de reuniões, de ajuntamentos:
Hoje não quero reunir com ninguém.
Vai haver festa, ãh?
E bebidas, e aperitivos… sim senhor; folgo muito em saber.
E os aperitivos são aquelas doses de comida servida em pequenas quantidades,
Que se rodam pela mesa como se de uma prova se tratasse, não é?
Tivesse tido disso antes de vir para a vida
E teria sabido evitá-la.
Agora é tarde.
Porque não falaste nisso mais cedo?
Mas já nos conhecemos há muito, não é?
Já sabemos os dois como gostamos de apanhar o outro
Distraído das coisas,
Com o corpo adormecido,
Com a razão amarrada atrás das costas…
Não.
Não vou mudar de roupa.
Com muito esforço,
Se me quiserem tanto, vou mesmo assim como estou;
Senão vão todos para o Diabo!
Desperdicem-se inteiramente ou deixem-me desperdiçar-me
Sem ter quem me aborreça:
Ajuda me dão
Se me tirarem esta dor de cabeça
Que aumenta só de saber
Que tenho de ter por horas o corpo entalado num fato preto
A dar apertos de mão a pessoas vazias,
De mãos frias,
Com a vida parada,
Com o interesse gasto.
Não gosto de apertos de mão.
Nada se modifica no Mundo por apertar a minha mão a alguém –
E de que serve um gesto
Se não causar alterações no Universo?
Já sabes.
Não teimes mais comigo.
Não visto nenhum fato.
Vem mas é ajudar-me a tirar estas roupas:
Tira-me tudo o que estiver a mais no que sou.
E não me sinto ser –
Haverá possibilidade de me despires de mim próprio?
Não peço para ser o outro porque o outro também quer ser Eu.
E desejar-me a mim mesmo seria absurdo e absolutamente antagónico.
E bem sabes que não gosto de antagonismos.
Mas chega-te cá.
Traz-me esse licor.
E enche bem o copo, até acima;
E vem cá – vem dar-me o copo à boca:
Quando chegar ao fim
Por certo findou a dor –
Se pudesse também findar a vida!

Ah! Mudar de roupa??!…

Lisboa, 18/02/01

 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:52
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Estado do Tempo

I

Chovem flores e setas baralhadas
Lançadas por cupidos delirantes
Que vão abrindo e vão fechando as asas
Em grandes tragos sôfregos de brandy.

Chovem ideias bruscas e espaçadas
Por entre os intervalos estonteantes
Do silêncio das pedras da calçada,
Do longo frio das noites inconstantes.

Chovem gatos pretos pelos cantos,
Do cimo dos telhados estilhaçados,
Pelas pedras letárgicas do espanto.

Chove-me um acre néctar de amargura
Dos meus dois olhos negros alagados
Pela borrasca agreste da Loucura…

Lisboa, 12/10/97

II

Sou Prisioneiro de Horas que Contemplo
Pelas grades desta triste cela
Onde me encerraram (quem me vela?)
Sem um motivo, sem um Julgamento.

Sou vítima de usar o Pensamento
Para entender o Rei que me esfarela,
Que me desfaz qual cera de uma vela,
Impondo-me o seu Reino Pardacento.

Sou servo do Regime que me gela,
Sombra de mim cedendo ao Desalento,
Mastro agrilhoado por cem velas…

Sou escravo consciente do Tormento
Imposto pelos Astros, pelas Estrelas,
Pelo Estado Déspota do Tempo.

Lausanne, 02/12/04


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:49
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Contra – Argumentação

O amor é o amor – e depois?
Vamos ficar os dois
A imaginar,
A pairar,
Sobre um vácuo indefinido,
No incerto de algo
Que não existe,
A poisar os olhos um no outro,
Sem nos mexermos,
Sem sonharmos,
Sem nos tocarmos,
Sem nos comermos
Com os olhos
E com o corpo,
Como loucos
Canibais esfomeados?

O amor é o amor – e depois?!
Vamos ficar aqui,
Quedos,
Mudos,
A tentar defini-lo,
Em vez de o usarmos,
De o descobrirmos,
Neste Mundo de Sonhos
Que podemos tornar
Só nosso?

O amor é o amor – e depois?!!
Esquece.
Esquece tudo.
Vive o sonho comigo.
Vamos encher o ar
Que nos rodeia,
Vamos torná-lo
nOSSO e só nOSSO,
De mais ninguém. –

O meu peito contra o teu:
Vamos ver quem vence numa guerra de almofadas.
Vamos! Continua! Não importa se as roupas estão rasgadas!
O meu peito contra o teu:
Cortando o ar,
Bebendo o mar
Que enchemos,
Que roubámos ao espaço.

Temos isto que temos.
Temo-nos aos dois,
Temos um leito
Grande,
Enorme;
Temos este laço,
Que nos pode prender e amarrar.
Por quanto tempo?
E que importa sabê-lo?
Estarmos juntos enquanto estamos juntos
É bastante.
Forçar o amor é torná-lo disforme.
Tê-lo
É vivê-lo
Sem o pressionar.

E por ora
Somos tudo,
Sem medo:
E há todo o espaço para amar!

Temos o espírito que temos.
Temos o objectivo que é nosso
E só nosso,
Como tudo o que era nosso anteriormente…

Somos todos,
Somos vários,
Somos um grupo de gente;
E somos um,
Dois,
Somos mais do que dois…(e)…

O amor é o amor – e depois?

Lisboa, 15/04/96[1]
 


[1] Nota do Autor: De um poema de Alexandre O’Neill.


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:43
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Três Quadros:

O Nihilista: A retórica é a força aniquiladora do Mundo. Homens doutos, falem.
 

O “Utopista”: A retórica é a força aniquiladora do Mundo. Homens doutos, calem-se.

Dois Homens:

– Para quê a retórica?
– Para que Deus pudesse existir.
– Para quê Deus?
– Para que o Homem pudesse existir.
– Para quê o Homem?
– Para que o Mundo pudesse existir.
– Para quê o Mundo?
– Para preencher o vácuo.
– De onde nos vem este medo do vazio?
– Deste coração fraco, deste coração fraco…
– Oh, Destino cruel! De onde surgiu esta condição de ser abstracto?
– O Diabo secreto que há em ti firmou em ti um pacto.

 

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:22
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Por Detrás do Muro...


 

Que é a ficção senão o real oculto perante os olhos dos cegos?


(Póvoa de Santo Adrião, 07/01/05)
 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:15
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La Divina Commedia


 

Ah! A Divina Comédia?! Mas que comédia é mais divina e maior do que aquela que vives?


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:12
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Tortura Chinesa - A Barra Olímpica...

In Público:

 

07-08-2007 - 15:32Sonhos olímpicos, dura realidade
 
Crianças chinesas treinam na Universidade de Desportos de Shangai, na China, com o objectivo de chegarem aos Jogos Olímpicos. Os meninos que aparecem nesta foto têm que ficar suspensos na barra durante cinco minutos. Foto: Nir Elias/Reuters
 
 
 
 
E cá por terras lusas, são crianças e graúdos que se têm suspensos. Mas oh! Fosse apenas ao jeito da tortura chiensa, por escassos cinco minutos! Por tanto tempo estes governos sucessivos têm tido o português dependurado e depenado e dependente sabe-se lá de quê, que, mesmo na espera do autocarro, uma das secas mais comuns, pudemos encontrar o desgraçado luso a balouçar, gemendo, numa corda!
 


 

Mas o pior, o mais grave, é constatar, ò horror macabro do fantástico!, que essa vivência acumulada de balâncias e suspensãos e dependuras (que me perdoe a gramática tão despropositados neologismos!) o privou de matéria corpórea. O português, blogoleitor, mirrou ao ponto da invisibilidade e nada mais lhes resta senão roupas...
Perante isto, que dizer?
 


 

Os chineses que desistam dos seus treinos: o ouro é nosso! -
 
 
 
 


 

Irmãos Cara-Amarela-Olho-Rasgado-Regime-de-Castra-Neurónios: Deixai repousar vossas crianças! Não as tortureis em vão! O que é o vosso exercício face à Eterna Suspensão de Portugal? Face a esta poética apatia de séculos? Parái! Despertai! Aceitai! Consciencializai-vos que ganhámos! O campeão é o povo português!


 

 


 

Mas, no entanto, todavia, porém...
 


 

Mesmo com tal vitória, sentimo-nos roubados... E por reles amadores politiqueiros!
 



 

 



Nesta foto do centro Louçã garantia: A nossa medalha era grande assim: (...)!


 


 


 

Que saudades dos bandidos a sério!
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 23:22
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A Confissão de Adão

Mulher que vens de mim, diz-me o que vês;
Vem debruçar-te neste fundo abismo;
Que pensas tu de Deus? E das marés?
O que descobres no meu Mundo em sismo?

Põe teus olhos em mim, imenso escombro,
Um vagabundo, um louco, um libertino,
Com o desgosto pendurado ao ombro
E a Alma errante em luta com o Destino…

Perscruta bem, mulher, o lamaçal
De ânsias no meu peito. Entristeço
Um pouco em cada dia. Ah!, ser mortal! –

Vem o frio do Inverno e eu padeço,
Sucumbo com o vir do vendaval,
Por ter nascido Humano, pago o preço…

Lisboa, 22/03/94

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 15:14
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Segundo Excerto do Pseudo-Heródoto Atribuído a Adonis

Os meus jardins são estéreis porque não são verdadeiros, mas a beleza que têm ultrapassa a de qualquer bosque no mundo. O meu rosto é jovem, mas imperecível e tão antigo quanto a idade dos Homens… Entre o baixo e o alto fui amado dos deuses e na terra sou fonte de cultos onde os que amam a Beleza me visitam e bebem. O que busco e instigo é o prazer, e o prazer maior encontrei-o em mim mesmo. Narciso é o meu melhor amigo. Alturas há em que sonho ser ele um pedaço do meu eu. Na verdade, sofremos vias diferentes, mas na essência somos um só e Ovídio deu-nos vida no mesmo poema. Dorian Gray fundiu-se comigo e o retrato dele é o meu. Dele nasceu a minha consciência que aguarda ainda o herói que a contemple. Eu sou múltiplo, concebido de opostos; sou a Treva e a Luz, o Dia e a Noite; mas nada há em mim que não seduza: como este bosque onde vivo e onde tudo convida à contemplação. Toma guarda, porém, incauto espectador! Advertiu-me um oráculo sobre o poder do olhar: Voir est un acte; l'oeil voit come la main prend (Paul Nougé); e agir, por sua vez, é mudar e ser mudado. Cuida pois nos gestos, no olhar! Toma guarda das metamorfoses! Cuidado viajante!, cuidado!
 

 

(Lausanne, 15/02/04)


 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 15:06
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Grandes Ditadores, Pequenos Homens:



 






«Se dou missa, chora com o Evangelho. Mas não contestes a verdade que eu sou...»


Que me perdoem os Ditadores ausentes...
 
O Gume não descrimina ninguém; e é com grande sentido de igualdade que a todos reserva o mesmo fim:


 
 
Bom Proveito, mesmo se do Inferno!
 

 
P.S. Interrogativo - Axioma do Gume Segundo Lavoisier: Na Natureza (do Gume), nada se mistura, nada se compara, tudo se pergunta: E o senhor, amigo Sócrates? Que caminho é o que segue? O que fará de si? E Portugal, para onde? Para quando essa explosão, Manifestação Descoberta do seu Jogo de Poder?

 
Pense um pouco, talvez, Senhor Primeiro... Ouça o Tic-Tac antes do...

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 12:11
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Pó de Arroz...


A maquilhagem é uma variação do rosto.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 03:49
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VitaMarket...

Esta obrigação quotidiana grava-te no corpo um código de barras. Pára de ser mecânico! Não te repitas! Não vivas o teu quotidiano! Desvanece-te apenas, pela simples razão de seres inútil, de não teres originalidade alguma, de siginificares nada…

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 03:40
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Eco


Her name is Echo; she always answers back .

In Ovid, Metamorphoses III.

Poor Echo. Like a computer, she could only repeat what she'd been told. Perhaps her doomed love affair with Narcissus is the ultimate metaphor for the relationship between Man and Machine.

In Estudo Anónimo.

I

Abre as mãos.
Toma estes frutos:
Saíram-me de dentro,
Da terra que sustento,
Com o meu suor em bruto.

Abre os braços;
Acolhe-me em teu peito.
Talvez nesse repouso
Eu ganhe eterno gozo
Ou um consolo insuspeito.

Abre o coração.
Deixa-me entrar.
Faz tanto frio, cá fora, onde me encontro!
É tão ruim este silêncio pronto!
Houvesse aí alguém p’ra conversar!

Mas ninguém passa,
Aqui,
A esta hora.

Não há
Viv’alma
Neste troço:

Eu grito: «Ter-te comigo,
Eu queria ter-te comigo…»…
E é o vento que eu ouço…

Lisboa, 04/02/01

II

Trouxe-me alguém as palavras
Que te mandei por correio.
Em vão escrevi a carta.

No chão do que sou, lavra
O Mundo o seu veio:
Essa terra, hoje seca, antes foi farta…


Lisboa, 04/02/01

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 02:53
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Bilhete de Ida e Volta - (Mais Anexo)

I - Ida

És parte de mim.
Por isso doi-me ver-te aí deitado.
A outra parte que me sobra está suspensa.
Balouçando com o vento frio da noite.

II - Volta

É por de mais este fim.
E qual será de nós dois o enforcado?
Tu que te agitas nessa corda tensa,
Ou eu que jazo aqui esperando a foice?

III – Nota dos Correios

Sujeito A dado como morto,
Escreveu a B já desaparecido
(Que respondeu quase de seguida),
Em circunstâncias muito inexplicáveis:

Têm o mesmo endereço (são do Porto)
O mesmo nome próprio e apelido,
(Diria mesmo, quase, a mesma vida)
E os mesmos caractéres finos e frágeis;

Ficou o nosso carteiro baralhado
Perante tamanha incongruência –
Pelo que, segundo é já usado,

E agindo com plena consciência,
Não fez o intercâmbio desejado
E devolveu o correio à precedência…
 


Lisboa, 20/02/01
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 02:40
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Domingo, 5 de Agosto de 2007

Ela Canta, Pobre Ceifeira!

Estar à janela olhando o Infinito.
Sentir a vida por fotografias.
Ouvir pianos na alma, (que bonito!),
Pensar em dias diferentes destes dias…

Ver o Mundo todo de um castelo de areia;
Encher a paisagem de recordações…

Quando estiver essa maré mais cheia
Talvez embarque, p’r’a lá das sensações…

Ter sido puro!
Ter sido inteiramente!
Ter sido sem receio do futuro!
Felicidade!
Oh!, ceifeira inconsciente!
Guia os meus passos!
Segura no meu braço!
Ensina-me tudo!

Crianças do meu passado
Com sonhos à ilharga,
Caminhai ao meu lado
Nas horas amargas!

Ensinai-me o truque,
A forma sagrada,
De sem ter destino
Saltar para a estrada,
Em busca do nada!

No céu o silêncio.
Em mim o desgosto.
Núvens várias condensam-se
Pouco a pouco.

Esqueçam-se
As coisas mundanas.
Esqueçam-se os sonhos terrestres.
Esqueça-se a vida do corpo –

Ascendamos.
Apago as coisas profanas,
Escolho este idílio campestre
E nele fico absorto
Até ao fim do programa,
Até ao grande apogeu.

Já nada sinto e de cama,
Ouço uma chuva a cair.
Que mais existe?
Há a mente que desvanece
E o tédio que subssiste
À vida na vida inteira.

(Não sendo é e persiste,
Não sendo é e chateia…)

Sou racional.
Nego tudo o que carece de prova.
E cantar e sentir são um sinal
De fuga à vida pesarosa.

Ou por Milagre estás alheia a ela?
Ou por Ventura esqueces o seu peso?
Se acaso o corpo dorme, a alma vela –
Estou sempre acordado, sei-me sempre preso!

Ah! Mas é vão o teu cantar na lida jornaleira?[1]
Às vezes queria esse inconsciente bréu
Que te deixa sem mal
Dizer que riste.

E eu nunca ri.
Nunca olhei o céu.

Oooooooohh!, gloriosa ceifeira! –

Fui então eu,
afinal,
O grande triste!

12/07/94 – 09/01/01
 


[1] Nota do Autor: A palavra Jornaleira foi empregue num sentido que penso estar mais próximo do etimológico. Entenda-se portanto: diária.
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:30
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Armistícios...


NOTA: ARMISTÍCIO A, 11 de Novembro, assinala-se o aniversário da assinatura do Armistício que pôs fim à I Guerra Mundial. Estranhamente, Portugal, que esteve lá, não o celebra. Na Bélgica, por exemplo, cuja participação directa não foi tão efectiva quanto a nossa (na verdade, os belgas cumpriram serviço militar sob as cores da França) é feriado. E cá...? Ninguém, quase, sabe já o que é o Armistício. E, na verdade, esta data, esta memória, a que serve? É uma lição a tirar, é certo; é um símbolo, um importante símbolo. E, pelo que representa, é um símbolo a não esquecer ainda que a memória do homem seja fraca face à cupidez e à mesquinhez que lhe são próprias. Mas além disso? Uma simples data que marca uma pausa; mas a pausa que marca não é no nosso egoísmo. Eis, sobre isto, uma consideração um pouco mais extensa, há um par de anos, encontrava-me eu, precisamente, em Bruxelas e, estava de folga! Por causa do Armistício...

Fim de uma Guerra? Quase. Fim de Uma Batalha. O Homem ainda vive: A Guerra não acabou...

...................................

Hoje o dia foi breve e foi triste. Um feriado célebre, o fim de uma guerra... Mas que celebração elimina as Guerras de um Homem? E que importa festejar uma qualquer paz num dia entre 365? Que importância real pode adquirir uma data num calendário, que não representa nada para quem a festeja? É feriado. Porquê?... Que me interessa? Estou de folga. Não trabalho hoje. Isso sim, tem valor. Por aí ganha importância o feriado e faz sentido marcá-lo no calendário. Para além disso? Celebrações? Não tenho tempo. O estado das coisas é de crise, para não falar naquele de mim próprio. A paz? Neste mundo criado não há paz possível. A geração de tudo é o conflito. O sentido dos Homens está no Caos e é o Caos, também, que o constitui. Batalhar é preciso. Guerrear é forçado. Matar qualquer coisa, nem que seja moscas, por dever ou tédio, convicção ou neura, é essêncial. O Mal de algo geral não desmente um Bem do indivíduo. Tudo é relativo na sua especificidade. Tudo é inútil para além das medidas do corpo. Tudo é indiferente para além de um proveito prático. Esse é, aliás, o único sentido para qualquer particular ou universal. Armistícios? Pode ser, que me importa?! Desde que mos marquem no calendário para que eu possa gozar a minha folga!
Mas foi tão breve o dia, e foi tão triste…

(Bruxelas, 11/11/03)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:25
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Sábado, 4 de Agosto de 2007

Apontamento sobre a inutilidade (Aos Homens de Estado e sem estado):


 

a) A conjura é a alegria dos inúteis.
b) Pensar é a alergia dos inúteis.

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 23:14
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O Flagelo da Obesidade Infantil Visto Pelo Gume

In Público:
 


«04-08-2007 - 14:57Duros de roer
 
Perto de 300 pequenos lutadores aguardam a sua vez para mostrar a sua força e aptidões para o sumo wrestling numa competição que irá ditar a sua subida ou não no “ranking” japonês na modalidade para juniores. Foto: Toru Hanai/Reuters»
 

 
Por cá, também se fez um concurso de selecção, ainda que, como seria de esperar, muito ao nosso estilo: noutra descontração...:

 

 

Há, como se viu, quem faça disto desporto. No entanto, tal desporto, constitui um problema grave: A Obesidade Infantil, ferida aberta da nossa sociedade. Há que agir e depressa, de modo a de uma vez erradicar este mal. Há que... (...)
 
Pedimos desculpa. Ocorreu um erro no computador que terá de ser desligado de urgência. Um virus arrasador infiltrou-se neste post. Façam o que fizerem,das galhofeiras crianças que se vêem em cima, não olhem, por favor!, para a imagem do meio...
 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 17:58
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Hino Triunfal dos Servidores dos Dias

O que dizemos
Ninguém dirá.
Como o fazemos
Ninguém fará.
Palavras, gestos,
Sonhos e gritos,
São os cartazes
Do Manifesto,
As bocas molhadas
No fim dos apitos.
É tudo fúria
De sermos vivos,
É tudo coro
De um só protesto;
Não somos Homens,
Somos Meninos,
Desintegrados
Num livro aberto.
Somos os deuses
De cada Igreja,
Os pontos negros
De cada verso,
Somos os corpos
Em que o amor sobeja,
Somos partículas
Indefinidas
Do Universo!

Lisboa, 06/02/97[1]

[1] De um poema de Carlos Queirós/oz.
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:03
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Primeiro Excerto do Pseudo-Heródoto Atribuído a Adonis

Eu vim falar-te da traição das palavras: não creias em sentido algum. Não creias nem te julgues ser César no Mundo da Linguagem. A esse trono onde provisoriamente te sentas chegar-te-à um dia um Brutus com punhais a quem gritarás: «Também tu?!». Não queiras ser Rei onde nenhum Rei é possível. Há Reinos que não têm majestade: repara no Reino dos Céus! Por usares e brincares com esse uso, não te julgues mestre: tu guias o teu Chevrolet, como Campos, pela estrada de Sintra, mas para guiá-lo tens de estar fechado lá dentro. Não dominas nada na linguagem no uso que fazes dela; antes, ela usa-te, porque é por ela apenas que constróis o teu mundo e conheces e suportas a tua consciência. Fala, escreve, inventa-te linguisticamente; mas nesse acto em que te crias a ti mesmo e em que denuncias (mesmo sem querendo, mesmo sem sabendo) o teu modo de ser, cala o teu orgulho. O que és? Não sabes. Não queiras também sabê-lo. Não perguntes. Goza antes, em humilde silêncio, o prazer que sentes em, pelo simples uso de palavras, te teres feito um Homem…
 

 


 

(Bruxelas,10/11/03)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:19
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Resistência



Il appelait le Diable et lui demandait la mort.
C’était une façon de la surmonter.
[1]



Desisti de falar do Tempo.
Desisti de falar do Túmulo.
Deisisti de falar.
Desisti.
Desisti de amar os Homens.
Desisti de amar o Mundo.
Desisti de (te) amar.
Desisti.
Desisti de chorar os doentes.
Desisti de chorar os defuntos.
Desisti de chorar.
Desisti.
Desisti de sonhar com a vida.
Desisti de sonhar na vida.
Desisti de sonhar.
Desisti.
Desisti de pensar no Passado.
Desisti de pensar no meu estado.
Desisti de pensar.
Desisti.
Desisti de não desistir,
Deisisti de ser como sou,
Desisti de estar aqui,
Desisti do ar como o vês e o recebo,
Desisti do Céu, de Deus e do Inferno,
Desisti de fingir que sou de ferro,
Desisti de negar que sou um erro,
Desisti de ser contra os que desistem,
Desisti de ser pelos que resistem,
Desisti de ser assim,
Desisti de ser,
Desisti.

Lisboa, 17/09/96


[1] Camus, Le Mythe de Sisyphe, p.123.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:02
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«E No Princípio Era o Verbo...»

A Linguagem é a mãe de todos os Homens.
Le Language est le berceau de tous les Hommes.
Language gave birth to every Man.
Il Linguaggio è il Genesis dell’Umanità.
El Langage es el creador del Hombre.
Aus Sprache ist Man geboren.
Ab Loquor nacquit Homus.
 


(Bruxelas, 12/10/03)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:02
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

A Tentação do Poder: Nostalgias...

In Público:

 

Directora do Museu Nacional de Arte Antiga afastada do cargo 01.08.2007 - 17h14 Lusa
 


 

«A directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, foi hoje afastada do cargo e será substituída pelo actual director do Museu Nacional do Azulejo, Paulo Henriques, disse à agência Lusa fonte oficial.
O director do Instituto dos Museus e Conservação (IMC), Manuel Bairrão Oleiro, indicou ter comunicado hoje a Dalila Rodrigues que não lhe será renovada a comissão de serviço à frente do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), onde, no entanto, irá continuar em regime de gestão corrente até ao final de Agosto.
(...)
As razões da não recondução de Dalila Rodrigues no cargo prendem-se com "a sua total discordância em relação ao modelo de funcionamento do IMC e por ter colocado condições para a sua continuação" à frente do MNAA.
Essas condições, disse à Lusa o responsável, passavam pela autonomia financeira do museu de arte antiga e pela articulação directa do museu com o gabinete da ministra da Cultura (...)».


 

Ora aí está senhoras e senhores, mais uma dissidente com o carimbo estatal:


 
O que, a meu ver, corresponde um pouco a esta combinação:



 

 



 

 



 

 
 
 
 
 
 
Assim vais longe Portugal! Às arrecuas! Bonito regresso ao Passado... São as saudades, claro está!


 



 

 


 

 



 

 
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 20:26
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Ad Excelsis

 E se de súbito Tudo Fosse Nada

Sem sombra de conceito?

E se a razão sumisse de repente?

Onde puseste, ò Deus, a Alvorada

E os Jardins do Teu Amor Perfeito?

Onde puseste a Paz que tens em mente?

A tua boca grande e presumida

Ainda diz que a Terra Prometida

Há-de surgir um dia à nossa frente.

Mas onde está a prova de que és feito

Do espírito divino com que mentes?

És tão controverso, ò Imperfeito
Sopro de um sonho, concreto e inexistente!!!

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 12:16
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Mil e Uma Mágoas, Mil e Uma Noites...


 

Scheherazade é a minha alma. Que sultão a condenou?


 

(Lisboa, 05/04/03)
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 12:03
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

«À Procura de Voz»

In Público:

«01-08-2007 - 09:43À procura da voz

 

A Peking Opera foi até ao município de Tianjin, no Norte da China, para tentar encontrar novos talentos para as suas fileiras. Esta candidata tem apenas 7 anos e tenta convencer o júri de selecção com o virtuosismo da sua voz e expressividade em palco. Cerca de 50 crianças de todas as partes da China foram até Tianjin para mostrarem os seus dotes nas artes de palco. O processo de selecção dura três dias.         Foto: Vincent Du/Reuters»
Seguindo o rumo das coisas, consigo também agora imaginar, dentro das novas ideologias à la Brave New Wolrd, Fahrenheit 451 e 1984 de que o nosso distinto Governo se vai aproximando, uma recruta governamental pelas escolinhas (e, porque não, pelos jardins de infância) em busca de novos talentos bufos, repressores, sofistas e demagógicos.

A ideia é de gritos. Tão boa, tão boa, que espero, sinceramente, que não a sigam...

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 10:16
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Cacos

I

Sombra nos sonhos, sombra nas paredes,
Outros da alma, vultos pelo tecto,
Aranhas (que me agrilhoam redes),
Rosto no espelho, o meu, grotesco espectro…

II

Loja de fatos, corpos para a vida,
Meu guarda-roupa para a ocasião!,
Meu Carnaval de mim, o suicida,
Máscaras da minha variação!

III

Onde ponho os papéis e a tristeza,
Onde sufoco todos os protestos,
Onde escondo notas de vileza,
Onde me mudo e me renovo: o cesto.

IV

Lembrar o teu desdém é doloroso,
Nada posso dizer que o ilustre:
O teu mesquinho riso de ódio e gozo,
As minhas lágrimas sob a luz de um lustre.

V

Puseste o teu orgulho sobre a mesa,
E eu apostei meu coração, O Caos,
Que tu levaste, com a maior vileza,
Numa sequência alta de paus.

VI

Maçada esta luz vinda de fora!
O sangue que me corre pela aorta!
Poder negar a vida que demora
E pôr“Do not disturb” atrás da porta…

VII

Meu amor que eu amo suportar,
Quero-te sempre, mesmo sendo breve
O tempo que temos para amar!
Mas pelos Céus!, Torna-te mais leve!

VIII

Amarmo-nos ao ritmo das vagas,
Queimarmo-nos ao fim de tanto amar,
Mordermo-nos até só sermos chagas,
Fazermos da cama o nosso altar…

IX

Correr com os rios até morrer no mar,
Ouvir o Mundo Inteiro por um búzio,
Jazer na praia até ser do lugar;
Purificar os Homens num Dilúvio…

X

Jarro da Vida que me dás cuidados,
E que tão pouco vales dois patacos,
Ter-te nas mãos já me tem cansado…
Sonho que tenho de te ver em cacos!

Lausanne, 01/12/04[1]


[1] Nota do Autor: Dez poemas nascidos de dez palavras perdidas: espectro, variação, cesto, etc. Tendo ficado com elas, pelo pecado da inveja, não direi, por pudor, quem as perdeu.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 02:12
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Das Kapital - O Deus Supremo

Esta Era transporta consigo (como as outras que a precederam) uma intensa preocupação com a Morte. Esse vulto sombrio e encapuçado com a foice do tempo numa mão ossuda vem ensombrando continuamente os sonhos das avestruzes abismadas que somos. Mas a passagem dos anos tem o seu modo próprio de transformar a nossa realidade e as suas preocupações. O Homem teme o tempo que passa mas a ciência vai atenuando esse temor. Das cinzas desse, porém, outro ganha forma. E o que se teme mais neste milénio, não é já a morte de um corpo, de uma sociedade, de uma civilização, até mesmo de um planeta cada vez mais esgotado de recursos e equilíbrio ambiental, mas a morte da Economia das Nações a que o génio e o engenho Humanos deram a responsabilidade e o poder de reger tudo. Assim, na roda incansável dos ideais, das espiritualizações, das crenças, o Capitalismo é o novo Deus que determina os valores, os estatutos e as necessidades. A sua palavra é escrita com cifrões e é sempre de Ordem. A sua Ditadura é aclamada, pedida, exigida entre a súplica chorosa e a ameaça, entre as lágrimas pedantes e os delírios da raiva. O Homem perdeu-se nas suas adorações e na noite da sua estupidez. Ele ama o Poder que instituiu e que o escraviza, e só assim escravizado pode sentir-se feliz. De facto, diante da Liberdade, essa mulher difícil, o Homem Comum não sabe o que fazer com ela, e o Instruído há muito que a renegou. Porque a Liberdade, para o primeiro, implica decidir e ele não sabe nunca o que escolher; para o segundo, é responsabilidade e ele não se dá bem com a Moral.
Assim, através dos séculos, o receio persiste, e a Morte ainda assusta no seu cavalo preto, com a sua foice, o seu capuz protector, o seu esqueleto caiado, promessa sarcástica da nossa decadência. Mas o terror absoluto reside apenas na morte desse Deus que gere todo o interesse, desse grande irmão dos donos deste Mundo que dá pão e água aos deserdados. Dá em troca da humilhação. Dá em troca da vassalagem. Dá em troca da alienação.
Sim… Esta Era transporta consigo uma intensa preocupação com a Morte: mas a Morte que assusta é a do Poder, não a do Homem. O vendedor de sonhos está tão cego na teia dos seus negócios, que teme a perda da carroça que conduz, bem mais do que a do ser que lhe dá forma.
Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 01:58
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O Leão Sem Juba

Sopa de Facas, Chafurdar na Lama

 

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