Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Evoluções, Involuções, Dubitações... (Reformulado)

- ...É como lhe digo, meu caro... O Homem é um animal de hábitos! A ideia é antiga, claro, e eu, que estou velho, sou apenas experiente, não invento nada. Não tenho muitas coisas como certas senão a morte, o imposto,os diabetes e esta coisa que vou agora dizer-lhe...

- Confesso, está a deixar-me curioso...

- E tem razões para isso. É este o caso, robusto, retirado das minhas evoluções: Um homem, qualquer homem , não é como nasce mas depois de nascer o que lhe dão...

- Asneira! Não aceito! Aos trinta anos você não é um abeto à espera de ser podado! É o que quer! Explique-se melhor...

- ...Permita-me, meu amigo; não me deixou terminar. Aconselho-lhe esse licor de malte: é do bom! Dizia-lhe eu, e por quem é, peço-lhe que não volte a interromper-me... Esta circunstância inevitável de, se se lembra, se ser o que lhe é dado, é uma amputação da personalidade...

- ...Homem, você vai de mal a pior!...

- Meu amigo, tenha paciência! Vai ouvir-me até ao fim e depois, sim, se ainda puder, arriscar-se-à a falar! Que diabo, experimente lá o licorzinho! Ao fim de dois ou três golos e de uma pitada de ouvido e paciência, pelas minhas farfalhudas suiças, vai ver que o argumento até lhe cai que nem ginjas!

- Pppfffff...

- Agora, dizia-lhe... É isso! Há uma amputação; e deixemos, faça-me a cortesia, este ponto intocável! Ora, sucedendo isto, quer também dizer que, à partida, a natureza das nossas escolhas (que moldarão e se moldarao pelo nosso carácter) estará condiconada pelo ambiente em que crescemos...

- Bom, cedo-lhe isso. Nesse ponto está certo...

- Agradecido. Vejo que já começou a tomar o gosto ao licor. É escocês. Ora, como é natural, isto é contrangedor...

- Efectivamente, meu amigo, isso dói!

- Será. Mas doi mais a ironia que contém...

- Ironia? Que quer você dizer? Chiça, que efectivamente este licor é do bom!

- Com certeza que é! O cavalheiro deverá tomar mais fé nas minhas palavras...

- ... Pois que realmente... sim senhor! Que belo sumo! Mas ora então o cavalheiro adiantava...

- Pois sim, a ironia...

- Precisamente, a ironiazinha, o meu amigo estava aí...

- Ora, pois então, como eu dizia, se seguirmos a nossa evolução da criança ao Homem, do estudante ao trabalhador, do inconsciente ao responsável, do ingénuo ao avisado, do ignorante ao culto, do rebelde ao institucionalizado…

- ... Que por vezes me parece mais uma involuçãozinha...

- Voilá! La mouche! ... se o fizermos, acabaremos, meu caro, por nos confrontar com o facto de sermos uma fera que se amansa pelas infindáveis leis da vida, acabando depois, com o cansaço dos anos, por precisar do jugo que se tornou familiar...

- Alto e pára o baile! A precisar do jugo?! O meu amigo agora está a esticar a corda!

- Tenha paciência homem! Cheire-me esse licor, que já está outra vez com aqueles ares! Ouça-me até ao fim esta pérola! Esta minha ideia faria as delícias de Darwin e outros como ele se ainda andassem por cá!

- Não duvido, não duvido... Então acabe lá isso antes que se me acabe o copo... O jugozinho, dizia o meu amigo, o jugozinho...

- Assim é... Essas correntes da juventude...

- ... Porque ser jovem é estar preso à aprendizagem...

- ... E livre a outras coisas!...

- Ha! Ha! Ha!...

- ... É muito mais do que isso, meu amigo, muito mais do que isso! Essas correntes, explicava-lhe, foram limadas por anos de habituação e tornaram-se um símbolo de refúgio...

- Ahhhh!

-... A memória distorce-se entre as responsabilidades e as escolhas, fazendo do que era uma vontade uma espécie de tédio, do que era um princípio um exemplo do erro, do que era convicção uma casmurrice, do que era uma crença um devaneio...

- Ohhhh!

-... O que desprezávamos passa a parecer-nos bom; o que evitávamos, desejável; o que nos magoava traz-nos a nostalgia do que pudemos já realizar...

- Entendo, entendo... realmente o licorzinho é bom!...

-... É no fundo como assistir à domesticação de um chimpanzé selvagem, que começa por aprender alguns truques em troca de bananas, para acabar por precisar das bananas por lhe lembrarem os truques que fazia…

- Meu amigo, estou convencido... Sem dúvida! É o malte!

- Sem dúvida...

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Que Farei Com Estes Gumes?: ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 20:49
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

A Pergunta de Jack, O Estripador (Letalíssimos Existêncialismos)

Se eu nao estripar a dor, 

Quem estripará?

Que Farei Com Estes Gumes?: , ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:16
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Famigerado Regresso! - Declaraçao

O Gume aplicou-se um correctivo severíssimo por se ter abstido por tao largo período de aqui redigir umas breves palavras aos breves leitores que brevemente o lêem. O Gume penitencia-se como pode e sabe, isto é, com mais palavras e sem outros esforços de maior, à imagem de uma classe política que, em ou fora de época de campanha eleitoral, prima pela qualidade do verbo em detrimento da qualidade do acto.

O Gume deixa aqui a promessa, igualmente política, de a partir de amanha redigir ferozmente os mais variados e extraordinários posts, sem, para qualquer outro dia de tempo presente ou futuro voltar a falhar-se e a falhar áqueles que o idolatram (que sao nenhuns, aparte o Gume, está claro).

O Gume agradece aos que o entendem e perdoam, apoia os que o renegam e o insultam e prepara-se para degolar sem escrúpulos ou laivos de piedade os que nao o conhecem ou que conhcendo têm a falta de espinha de nao ter opiniao.

Isto é, o Gume prepara-se para degolar sem escrúpulos ou laivos de piedade o português comum...

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 16:08
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

Branca (Há Já Três Dias Que Nada Mais Me Ocorre)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 14:37
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Sábado, 12 de Setembro de 2009

White Russian (Sem Vodka e Sem Kahlúa)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 14:58
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

O Ganso dos Ovos de Ouro (De Relance, Com 5 Ovos)

 

                                  O       O

                                       V

 

 

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 14:38
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Do Conforto da Loucura

"There's no method to the madness... It's just like being at Home..."

 

Shelley Duvall, falando de Terry Gilliam

Que Farei Com Estes Gumes?: ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 19:50
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Aqui Há Gatos: 9!!!

Sao 9 horas e 9 minutos e 9 segundos do dia 9 do mês 9 do ano 9 e eu estou no 9º andar.

Os números,

definitivamente,

incomodam-me.

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Golpe por Miguel João Ferreira às 09:09
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Tenho Dito!

JORNAL INFERNAL 666

(ÀS SEXTAS E...

COM MANUELA MOURA GUEDES)

 

Tem causado grande polémica (e demagogia) a decisão da Prisa de terminar com o "programa noticioso" de Manuela Moura Guedes.

Em pleno momento de campanha, Sócrates é acusado de censor por Manuela Ferreira Leite et allii, e televisões, jornais e rádios têm comercialmente explorado o tema, como é comum em tais circunstâncias, até ao expoente das suas possibildiades.

O Gume, que, como se sabe, é averso a episódios de feira, põe as coisas nestes termos que considera de elevada praticidade:

 

a) Sócrates é, efectivamente, um censor, principalmente com o que não lhe convém, e não tem problemas em atropelar ideiais democráticos para abafar os incómodos mais comichosos aos seus, chamemos-lhe, pontos de vista.

 

b) Manuela Ferreira Leite, pelos seus próprios lapsos (6 meses sem democracia, etc.) e por outros, chamos-lhe também "lapsos", do seu partido (no já referido caso de Marcelo Rebelo de Sousa), não tem grande suporte que sustente as suas afirmações.

 

c) Pelo amor de Deus, senhoras e senhores! Tirar a Manuela Moura Guedes do ar, não é censura, é um dever cívico! MMG é um insulto ao jornalismo!

 

Tenho dito.

 

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NOTA AOS CENSORES: O GUME É PERFEITAMENTE IRRESONSÁVEL PELAS SUAS AFIRMAÇÕES.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 13:04
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Fotografia da Minha Viagem à Islândia (Verão de 2002)

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Golpe por Miguel João Ferreira às 11:00
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

Os 5 Penalties de Carlos Queiroz (No Comment)

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Golpe por Miguel João Ferreira às 15:47
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Sábado, 5 de Setembro de 2009

Demóstenes Contra As Ondas e Outras Histórias - Parte I: Do Fundamentalismo das Premissas

Há homens tão herméticos no seu raciocínio que mutiliam a sua própria capacidade retórica, por mais brilhante que ela seja. Lembro-me por exemplo de Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irão. A sua inteligência é inquestionável, a sua eloquência merece atenção. Mas ela é eficaz apenas dentro da validade daquele círculo que o homem constrói em seu redor, aquele círculo de interpretação fundamentalista da sua religião e da sua cultura, que não é fundamentalista por si mesma, mas apenas de acordo com o que ele (e outros como ele) retiram dela. Assim, o extremismo de cada argumento de Ahmadinejad é de tal ordem, que as suas premissas colidem antes de atingir a chave do silogismo ou do discurso que expõe. A eloquência de Mahmoud Ahmadinejad é, portanto, fora do círculo, ineficaz.

Isto acontece porque o fundamentalismo que rege as suas crenças e convicções mais profundas, decepou a extensão das suas possibilidades. Na verdade, homens como Mahmoud Ahmadinejad, se se dessem a si mesmos a liberdade de aceitar qualquer premissa, seriam retoricamente imbatíveis.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 08:08
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As Persianas da Janela da Sala da Minha Vizinha do Quarto Esquerdo (Ela é Jovem, Inacessível, Loira...)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 07:58
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Dente Direito de Elefante Africano (The Horror, The Horror!)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 07:57
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Copo de Plástico Para Bebidas Fortes (Conforto de Plástico Para Vidas Fortes)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 07:56
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A Marquesa Onde A Doutora me Deitou (Medicinal Erotismo!)

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Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 07:54
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

TRAMPA!

Em inglês, sem A, quer dizer "vagabundo".

Em espanhol, com A, quer dizer "armadilha".

Em português, com as letras com que se escreve, quer dizer aquilo que sabemos.

Ou seja: Seja qual fôr a língua em que dela falemos,

A PALAVRA É UMA MERDA!

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 07:27
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Corsage na Parq (E No Gume)

Corsage, Pelo Gume, Na Parq Magazine (Aqui a Versão Não Editada)

 
CORSAGE: FINITO L’AMORE, COMEÇOU A MÚSICA…

 

Nome em francês, título do álbum em italiano, letras em inglês, colectânea em Espanha, banda portuguesa… Parece que falam do fim do amor, mas em Corsage há um pouco de tudo e, como dizem, “tomorrow is never goodbye”.

 

Corsage, palavra francesa, pode ser um arranjo de flores num vestido de senhora ou em volta do pulso. Este adereço é (cumprindo-se a tradição) usado pelas mães e avós dos noivos numa cerimónia de casamento. O termo também representa o corpete de um vestido. O seu uso transformou-se, consoante as tendências, quer nas fábricas, quer nas passerelles. Com o tempo, também o termo evoluiu, e hoje, ainda que tenha os seus floreados, é bem mais do que flores ou vestuário de senhora. É uma banda de cinco espirituosos elementos e, ocasionalmente, em concertos, vestuário de senhor, em particular do seu vocalista, Henrique Amoroso.

Nascidos para a música em data não determinada, mas uns para os outros em 2004, fruto do encontro entre Pedro Temporão (baixo – Raindogs, Cello e Actvs Tragicvs), Carlos António Santos (teclados e acordeão – Actvs Tragicvs), Nuno Damião (guitarras e sopros),  Henrique Amoroso (voz e percussão) e Rui Coelho (bateria), a banda começou por lançar um EP homónimo, editado pela Camouflage Records com distribuiçao de Música Activa, em que já se afirmava a personalidade do som pop alternativo/ indie com que os seus membros estabelecem afinidades. Poderá apontar-se-lhes a influência de Tindersticks, Leonard Cohen, The Triffids, Morrisey (durante e pós The Smiths), ainda que, disto, digam apenas estarem sóbrios. Amoroso reconhece que “são influências que temos e não podemos negar, isso seria como andar nú pelo Chiado e esperar que as pessoas não olhassem”.

Em 2005 participaram, com uma versão de Scott Walker, na colectânea "Angel of Ashes" de homenagem ao muito referenciado músico britânico, editada pela Transformadores. Seguiu-se em 2007 a integração na colectânea "Novo Rock Português" com o tema “Gate Creepers”, edição da Chiado Records.

Finito L’Amore, já com Nuno Castêdo (Pop dell’Arte) na bateria, lança os seus sons em 2009, numa edição de autor com distribuição da Compact Records. A alteração na formação, segundo Nuno Damião, reflecte-se na música, mas o objectivo de gravar boas canções pop permanece. O músico destaca ainda a aposta em instrumentos como o trompete, o clarinete-baixo, o violino e o acordeão, na busca de uma sonoridade mais tímbrica e acessível. Deste trabalho extrai-se o tema de apresentação “All Their Faces” para a colectânea Pop Nation Vol.2, da editora espanhola Bon Vivant Records. Este tema, dos mais apelativos, poderá ser entendido como uma apresentação do grupo, afirmando o seu espaço musical e demarcando-se dos demais.

A produção ficou a cargo de Helder Nélson (Dead Combo, Mikado Lab), com participação especial de Sanja Chakarun (que contribuiu com voz e letras); de Gonçalo Lopes (Alfa Arroba, iNTeRLúNio, In-Canto), amigo de longa data, no clarinete-baixo; e Carlos Santa Clara, introduzido por Hélder Nelson, no violino.

Lançado «Finito L’Amore», os Corsage conquistaram a crítica e o público. Vistos como autores de uma indie romântica divertida, passeiam o seu som entre a melancolia, o vintage, o vaudeville e um humor cáustico. Em Maio de 2009 este reconhecimento foi além fronteiras, e o júri dos Prémios Internacionais da Música e Criação Independente, atribuiu-lhes o prémio de melhor grupo português de 2009. A cerimónia de entrega decorrerá a 26 de Setembro no Gran Teatro de Cáceres.

Constituído por 13 faixas mais um interlúdio, em vinil virtual (lados A e B, distinguidos por um intervalo que não tem forçosamente de representar uma pausa), suporta a simbologia das duas faces da sua música, uma dominantemente pop, mais enérgica, a outra mais folk/ vaudeville e instrospectiva.

 O vaudeville, quase burlesco, em que Kim WIlde e Oscar Wilde podem ter algo em comum, é aliás uma das suas roupagens mais significativas, reflectida em particular nas actuações ao vivo da banda, que assume uma postura vivamente teatral. Amoroso canta o fim e o princípio dos amores e seus derivados encorpando, como vimos, um corsage e as músicas são muitas vezes tão actuadas quanto cantadas.

Aliás, Finito L’Amore é uma colecção de short stories: Corsage e os outros (All Their Faces),  esperança (Dried Up River Blues), desiquilíbrio quotidiano (Trapezist), Finito L’Amore – “on Sundays there’s never much to do” (Along The Line), o Homem-Animal escravo de si próprio (Man Is My Favourite Animal),  sátira aos Media (Gatekeepers), interlúdio carnavalesco ou L’Experience Continue (Intervalo), exortação contra a passividade “tomorrow is never goodbye” (John, John, John), a amnésia do fim que reduz o amor ao anonimato (Annonymous Ann), a jukebox de sonhos: pela música, L’Amore Infinito (Jukebox Made of Dreams), o esforço de recuperação da inocência (Viva La Gradisca), a ilusão necessária (Tenderville), a incerteza e a necessidade de tentar (West Side of the Town).

O amor, a ilusão (“é preciso fingir para acreditar” – Amoroso), o desejo, o risco, a inocência, atravessam uma ideia central, Viva La Gradisca!, num resumo musical do brilhante Amarcord de Federico Fellini. Transcriçao fonética do dialecto da Emilia-Romagna, de onde Fellini era oriundo, para io mi ricordo (eu lembro-me), o filme é uma afirmação da memória, na recuperaçao do momento de transição da inocência para a maturidade através da educação sexual de Tatti e de uma Itália recentemente unificada e relativamente livre para o regime fascista de Mussolini. La Gradisca é, por sua vez, uma região italiana multilingue de Friuli, Venezia-Giulia, na fronteira com a Eslovénia e a Áustria. A palavra é terceira pessoa do imperativo e presente do conjuntivo do verbo italiano gradire, que quer dizer “desejar”, “querer”, “aprazer” e não é por acaso que esse é também o nome da mulher mais bonita e desejada de Amarcord. Nem é por acaso que Viva La Gradisca! é a canção que afinal reúne a essência destas 13 histórias, na celebração melancólica de uma inocência que passou e não se quer perder, pelo circo da vida em que se assume que, pela música: “Cirque du Soleil/ Stanotte si festegierá / al vecchio teatro”. Como confirma Amoroso, “dizer "Viva La Gradisca!" é reconhecer aqueles que mantiveram o seu tesouro ao longo do saque”, o saque da maturidade e dos constrangimentos sociais, do mesmo modo que dizer “Finito L’Amore”na sua dicotomia com “Amore Infinito” (Nuno Damião) é uma forma de preservar a esperança de “A new life, a new start” (Viva La Gradisca!).

Para Amoroso, "o conteúdo trucida a forma se esta não tiver pernas para correr"; mas a forma da música de Corsage, numa recuperaçao da obra-prima de Nino Roti, responsável pela banda sonora de Amarcord, a sua música, desafiadora e coerente, tem pernas para isto e bem maiores distâncias. Imaginando a música como um mergulho profundo, o vocalista diz que “o que interessa não é ir lá abaixo, mas apreciar a viagem"; e a música é comunicação, “mesmo nos intervalos ou momentos de silêncio, como acontece com um autista”. Pelos próprios, “Corsage é uma espécie de contraceptivo social que queremos ver usado apenas com fins recreativos, como se faz aos doze anos e se enche os contraceptivos com água e depois se atira a alguém de quem se gosta pouco. Corsage é o fim derradeiro que nunca começa". É um Peter Pan que relembra que a infância não tem de perder-se e é sempre possível. Esta nostalgia de um passado presente sobressai também no aspecto gráfico do disco.

Este regresso não é porém regressão, e a banda reconhece que, desde 2004, “Corsage cresceu, mas a verdadeira transformação ainda está por acontecer”. Vendo a música como partilha, crê que “egoista é ficares em casa com medo e acenderes o televisor. A música faz as pessoas virem-se juntas.”

Pretendem por isso continuar a apresentar ao vivo “Finito L’Amore’ e compor novas canções. Com actuações previstas para Setembro e Outubro (Ler Devagar, Cáceres, Maxime), aconselham-nos a “como Daffy Duck, expect the unexpected”.

Corsage está portanto no princípio. Ganhou uma entrada para “o rico, iluminado e vasto meio boémio português”, mas com a consciência de que “se quiser mudar alguma coisa terá que trabalhar mais”. Por agora, “queremos é que leiam as letras”. Cada um tirará o seu significado; e, se, Along the Line, o fim, na letra, chega ao Domingo (on Sundays there’s nothing much to do), para Corsage, hoje é segunda-feira.

Que Farei Com Estes Gumes?:
Golpe por Miguel João Ferreira às 15:26
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Urso Polar (Pata Esquerda)

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Que Farei Com Estes Gumes?: ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 13:25
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Quotidiano: Mais Uma Intransponível Forma Opaca!

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Que Farei Com Estes Gumes?: ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 11:26
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Breve Nota de Um Suavíssimo Silêncio

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Que Farei Com Estes Gumes?: ,
Golpe por Miguel João Ferreira às 09:34
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Manifesto Moderadamente Exacerbadíssimo Sobre A Necessidade de Ilegalizar as Dobragens

Não é segredo que o cinema é ilusão, em particular, de óptica. Umas das suas singularidades é o contraditório da ausência: o objecto ou, neste caso, o actor está à nossa frente, mas não está à nossa frente. Vêmo-lo e ouvimo-lo, mas não lhe tocamos, não o cheiramos, não interagimos fisicamente com ele.

 

Como diz Paul McDonald, apesar desta ausência do actor, não se deve esquecer que também o uso da câmara, a iluminação, a edição, mas, mais importante, o corpo e a voz do actor, contribuem determinantemente para a construção da personagem e a transmissão do seu carisma. Por isso, a pergunta "Como pode a representação construir presença de modo a compensar a ausência física do actor?" é crucial e deve ser seriamente colocada.

 

Efectivamente, é devido a esta necessidade de compensação da ausência que a voz do actor se torna no principal traço da representação. É também por isto que a dobragem resulta num crime que destroça, no ritual da sétima arte, o esforço que o actor faz para oferecer ao espectador essa ilusão de estar alí, de uma partilha entre o que finge que age e o que finge que acredita no que vê.

A dobragem, mais do que a quebra da ilusão cinematográfica da presença do actor, e mais do que a adulteração do seu carisma (e do seu talento), para além de uma limitação da inteligência, é um verdadeiro insulto ao trabalho daquele que representa e, como tal, do ponto de vista da representação, terrorismo cinematográfico.

 

ABAIXO AS DOBRAGENS!

ACIMA OS DECRETOS CONTRA ELAS!
FORA COM AS CABEÇAS DOS QUE DOBRAM, SEJA (O QUE DOBRAM) MERAS FRASES OU PÁGINAS!
QUE O VERBO DOBRAR SEJA EXCLUÍDO DA GRAMÁTICA!
A PARTIR DE HOJE UM PAPEL NÃO SE DOBRA: DEBRUÇA-SE SOBRE SI MESMO,

COMO A ALMA SOBRE O UNIVERSO,

E VOMITA COM A NÁUSEA DE O ESTAR FAZENDO!

A PARTIR DE HOJE SÓ SE LEGENDA, E COM CUIDADO!

A PARTIR DE HOJE O ACTOR FALA POR SI SEM VOZES EMPRESTADAS!

SE EU APANHO ALGUÉM A DOBRAR EU CORTO-LHE O PIPO!

EU ESVENTRO-LHE AS ENTRANHAS ENCARNADAS E FEIAS,

PÚTRIDAS E NAUSEABUNDAS!

EU ESCANCARO-LHE O CRÂNEO COM BLOCOS DE ARGAMASSA

E CARREGO-O COM TERRA E ESTRUME DE BOIS!

NÃO DOBREM DIANTE DO GUME!

NÃO DOBREM POR DETRÁS DO GUME!

NÃO DOBREM EM PARTE ALGUMA EM QUE O GUME ESTEJA OU NÃO ESTEJA!

QUEM DOBRAR, É DOBRADO ATÉ QUE OS OSSOS QUEBREM E AS COSTAS SE COLEM COM A PELE DA FRONTE!

QUEM DOBRAR É MERDA!

QUEM DOBRAR, NUM SOPRO, DESAPARECE DO MAPA!

ALÍNEA B DO DECRETO MIL DE DOIS MIL E SEMPRE:

SE UM HOMEM DOBRA É UM RATO E RECEBERÁ VENENO!

SE UM HOMEM DOBRA É UM VERME E SERÁ ESMAGADO!

SE UM HOMEM DOBRA NÃO TEM FUTURO, TEM PASSADO

E O SEU PRESENTE É ASQUEROSO!

SE UM HOMEM DOBRA É UM BICHO E OS BICHOS ENXOTAM-SE!

XÔ! XÔ, DOBRADOR DE SENTIDOS!

AK! USHI! SPLASH! PAH!

RUA! EMBORA!

DESAPAREÇAM TODOS!

SE UM DOBRADOR MAIS É VISTO NESTAS PARAGENS,

EU DEVORO-LHE A ALMA!

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(- Dr. Freudo, preciso de mais calma!)...

 

Golpe por Miguel João Ferreira às 08:34
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O Leão Sem Juba

Sopa de Facas, Chafurdar na Lama

 

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